Público LGBT quer ter voz e vez na sociedade Beltronense

A Unioeste desenvolve o grupo de estudos, através do projeto de extensão com o título “Diálogos Interdisciplinares para a promoção da Cidadania da População Trans: Direitos Humanos, Gênero e Sexualidades” com o objetivo de propor na sociedade beltronense uma discussão sobre a temática, e acima de tudo, o respeito ao próximo. A coordenadora do projeto é a professora Melissa Barbieri, que esteve na Câmara de Vereadores de Francisco Beltrão nesta terça-feira, 03, acompanhada dos alunos que fazem parte do projeto e a Transexual, Maysa Fernandes, que atualmente é acadêmica de serviço social.

O relato de Maysa foi de alertar os vereadores do preconceito que se comete com o público LGBT e a violência com esse público no dia a dia. “Desde a infância, os xingamentos e a negação da nossa identidade fazem com que a única alternativa seja morar na rua. Pois, as portas são fechadas para nós. Nossos sonhos e objetivos são destruídos. A cultura enraizadas em preconceitos dita que o destino dos travestis e transexuais é a prostituição. Nós passamos por negligências e violações dos nossos direitos diariamente. Somos marginalizados e excluídos da sociedade”, declarou Maysa.

Ela também relatou que nenhum caso de homicídio por transfobia foi identificado em Francisco Beltrão, mas a vulnerabilidade é diária. “Já levamos garrafadas, carros ameaçam nos atropelar e sofremos assaltos e espancamentos constatantes”. Outra agressão identificada pelos transexuais é a discriminação de algumas lojas, supermercados ou imobiliárias. “Chegamos ao ponto de viver em condições desumanas, numa casa onde o proprietário cobrava o dobro do aluguel comercial, num total de 10 pessoas, em junto com ratos e baratos, porque não nos aceitavam na sociedade como pessoas normais. Até em postos de saúde não tínhamos o mesmo direito das outras pessoas, pois só queríamos pegar os preservativos gratuitos, e assim, prevenir das DSTs e Aids, mas as vezes negavam esse direito também”, lamentou Maysa.

Melissa Barbieri

A professora Melissa alertou que a luta precisa ser de todas as pessoas, não somente do público LGBT. “O respeito deve prevalecer, para ser construída uma sociedade melhor para todos. Neste sentindo, pedimos para os Poderes Legislativo e Executivo o apoio necessário para conscientizar toda a população, através de campanhas educativas e ações garantam esse direito”, afirmou Melissa. O número de travestis levantado pelo grupo de extensão é de 25 pessoas. “Queremos políticas públicas para este público e garantir os direitos que já existem. Estamos dando aulas para elas, organizar a documentação, o contato com a família e tentar superar o preconceito da sociedade”, explicou a professora.

“Estamos pedindo que sejam acrescentados artigos na lei contra a homofobia, que já existe desde 2007, para oferecer capacitação para os profissionais de saúde estadual e municipal, agentes públicos, para que saibam lidar e respeitar o público LGBT”, acrescentou.

Por fim, a vereadora Elenir Maciel(PP) colocou o Poder Legislativo, enquanto presidente da Casa, para discutir as políticas públicas necessárias para a modificação da lei municipal. A vereadora Fran Schmitz(PSDB), que também é psicóloga por formação, também destacou que o trabalho do grupo de extensão da Unioeste está sendo bem feito e que deve ser expandido para mais pessoas ou entidades, com o objetivo de difundir a informação e diminuir o preconceito.

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