Semana de comemoração e lembrança da Revolta dos Posseiros de 57 é lei

A partir do próximo ano, deverá acontecer na segunda semana do mês de outubro, uma série de atividades em Francisco Beltrão, principalmente nas escolas, para Comemorar e Lembrar a Revolta dos Posseiros de 1957. Os vereadores Camilo Rafagnin(PT) e Daniela Celuppi(PT) apresentaram o projeto de lei, que foi aprovado por unanimidade pelos demais vereadores. Oficialmente, a data de comemoração é dia 10 de outubro, mas devido a aprovação da lei, caberá a secretaria municipal de educação realizar atividades culturais e aspectos históricos da revolta dos posseiros de 1957.

Histórico da Revolta de 1957

A Revolta dos Colonos ou Revolta dos Posseiros foi um levante realizado por colonos e posseiros armados iniciado em 10 de outubro de 1957 como forma de repúdio aos sérios problemas de colonização da região que se estabeleceu entre posseiros, colonos, companhias de terras grileiras, e os governos federal e estadual.

A Revolta dos Posseiros (ou Revolta dos Colonos) foi um levante organizado por colonos do sudoeste paranaense que teve seu auge em outubro de 1957, quando armados de espingardas, facões, foices, enxadas os agricultores tomaram as cidades de Francisco Beltrão e Pato Branco.

Várias cidades do sudoeste paranaense foram tomadas, culminando com a tomada da cidade de Francisco Beltrão por cerca de 6 mil posseiros. Há quem considere a revolta como o único levante agrário armado vitorioso na história do Brasil. A disputa se deu em um território de cerca de 450mil hectares da região, cuja ocupação mais intensa se deu a partir de 1943 com a criação da Colônia Agríola General Osório (Cango) por parte do Presidente Getúlio Vargas.

Com o incentivo da Cango, diversos colonos se mudaram para a região, passando a ocupá-la, mas sem receber nenhuma escritura de posse da terra, apenas um protocolo de posse da terra.

A partir de 1950 a empresa de colonização Citla (Clevelândia Industrial e Territorial LTDA) em acordo com o grileiro e então Governador Moyses Lupion, passa a vender títulos falsos de propriedade aos posseiros, afirmando que era a dona dos lotes. Em seu auxílio, a Citla contrata jagunços para forçar os colonos a pagarem pela terra ou se retirarem.

A situação se agrava quando as irregularidades cometidas pela empresa passam a ser descobertas pelos posseiros e são denunciadas pelas rádios Colmeia de Pato Branco e Francisco Beltrão.

No dia 9 de outubro de 1957 os colonos tomam a cidade de Pato branco e os jagunços fogem para a vizinha Francisco Beltrão, onde ficavam as sedes da Cango e da Citla. No dia seguinte, 10 de outubro de 1957, 6mil posseiros ocupam Beltrão, expulsando os jagunços e destruindo os escritórios das empresas e as documentações falsas que haviam sido obrigados a assinar.

Cinco anos depois, em 17 de março de 1962, o presidente João Goulart na companhia do governador Ney Braga visitam a região e anunciam regularização da área, tornando cerca de 60mil posseiros da região em proprietários de terras. Diante de todo histórico, entendemos que é importante oportunizar a população e principalmente as crianças a conhecer um pouco mais sobre essa história, estimulado a valorização da memória, da cultura e o sentimento de pertencimento.

 

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